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06.06.2011Câncer e o paladar: receitas que reduzem os sintomas da quimio e radioterapia

O Instituto do Câncer de São Paulo oferece curso de culinária para acompanhantes de pacientes em quimio e radioterapia. A ideia é amenizar os efeitos colaterais dessas terapias – como boca seca, vômitos ou alteração de paladar – por meio da alimentação

A presença de nutricionistas nas salas de quimio e radioterapia já foi um serviço para poucos nos hospitais e clínicas de tratamento de câncer. Nos últimos tempos, cresceu a percepção de que a nutrição é parte fundamental do tratamento. Assim, aos poucos, o auxílio dos nutricionistas começa a fazer parte do serviço público de saúde.

"Antes do tratamento, fazemos uma triagem para saber se o paciente está desnutrido ou se tem risco de ficar", diz Vanessa Moura, nutricionista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). A instituição foi apontada como o melhor hospital público paulista, segundo a Pesquisa de Satisfação dos Usuários do SUS. No Icesp, enquanto os pacientes recebem instruções e tiram dúvidas sobre a alimentação mais indicada para seu caso na sala de medicação, na sala de espera os acompanhantes são avisados sobre o projeto da cozinha experimental do hospital, que ocorre na última terça-feira de cada mês. Enquanto o paciente recebe a quimio, o familiar ou amigo aprende a importância da alimentação na recuperação do organismo e até no controle dos efeitos colaterais do tratamento, como náuseas e vômitos, diarréia, constipação, boca seca ou com feridas, dor para engolir e ausência ou alteração de paladar. O banco de dados do programa tem mais de 100 receitas, que devem se tranformar em livro no futuro.



O projeto começou em maio de 2009 e as aulas costumam ficar cheias. A demanda é grande, segundo Suzana Camacho Lima, gerente do Serviço de Nutrição e Dietética do Icesp. Ela, acompanhada de Vanessa, uma psicóloga e mais duas ajudantes na cozinha recebem 20 pessoas mensalmente, mas a ideia é aumentar o número de aulas de uma para duas vezes ao mês. Isso incentivaria os acompanhantes a assistirem a mais aulas.

Num primeiro momento, é dada uma palestra que ajuda os acompanhantes a compreender o comportamento do paciente nesta fase do tratamento e desenvolver recursos para lidar com os sintomas. É importante que eles se conscientizem de que os efeitos se apresentam de forma diferente dependendo da gravidade e do tipo de câncer, da condição de saúde e do medicamento usado no tratamento. "Nós dizemos que eles precisam se cuidar, acima de tudo", diz Suzana, já que muitos familiares se obrigam a ficar fortes e se esquecem de que também têm anseios e sentimentos. Em meio ao alívio que o curso propicia, "muitos descompensam", diz a nutricionista. A presença da psicóloga, neste caso, é fundamental para acalmar a turma.



A alimentação é uma das únicas maneiras práticas do acompanhante ajudar o paciente com câncer, já que são eles que preparam suas refeições. Aí vem a parte prática: dicas dos alimentos certos, a explicação e demonstração das receitas, a possibilidade ou não da substituição de certos ingredientes, a importância da apresentação dos pratos (uma vez que o paciente normalmente perde a fome e o apetite), o esclarecimento de mitos (do tipo: "comer carne aumenta o tamanho do tumor")...

Cada aula apresenta duas ou três receitas para diminuir um determinado efeito colateral. Na aula que recebeu a visita da reportagem, o tema era diarreia, e os pratos ensinados, broa salgada, tapioca de maçã com calda de goiaba e água de coco com pêssego e gengibre. Nada com gordura ou açúcar, para não estimular os movimentos peristálticos (do intestino), nem com muita fibra. As receitas foram aprovadas: não tem "doce", mas é saboroso, disse uma das alunas.

Wilma Gnand Correia, de 68 anos, ficou animada. Disse até que tem gengibre no quintal de casa, em São Roque (SP). "A ideia é passar receitas simples, com ingredientes comuns e baratos, que sejam facilmente reproduzidas em casa", afirma Suzana. Wilma cuida do marido, Luís, oito anos mais velho. Há sete anos ele teve câncer no intestino e o médico lhe disse que uma das coisas mais importantes era que ele se alimentasse bem para o corpo poder receber a quimio. Agora, foram descobertos alguns nódulos em sua axila, e ele está se submetendo a algumas sessões de quimio para reduzir o tamanho. Wilma tem sorte: o marido come de tudo, mas a última sessão do tratamento provocou um pouco de diarreia, e a queda dos cabelos. "Vim assistir à aula por curiosidade mesmo, e porque ele é um pouco teimoso", diz, sobre o fato de Luís se negar a parar de comer certos alimentos.

O marido de Silvana Andrade Vasconcelos, de 45 anos, teve um linfoma igual ao da presidente Dilma Rousseff. Nesta terça, recebia a terceira sessão de quimio. "Na primeira não aconteceu nada. Na segunda, ele ficou com bastante enjoo e não quis comer muito", afirma. É a primeira vez que Silvana compareceu à aula. O que a motivou foi a paixão pela culinária e o receio de que o marido apresente alguma reação ao tratamento. Ali, ela aprenderá como tentar domá-la em cima do fogão.

Confira, abaixo, algumas receitas e dicas da equipe do Serviço de Nutrição e Dietética do Icesp.

Rocambole de fubá (dor para engolir, feridas na boca, náuseas e vômitos, diarreia)
Almôndega de aveia (ausência ou alteração de paladar, náuseas e vômitos, intestino preso)
Arroz cremoso (dor para engolir, feridas na boca, boca seca)
Flan de laranja com calda de hortelã (alteração no paladar, dor para engolir, feridas na boca, boca seca, náuseas e vômito)
Gelo verde (ausência ou alteração do paladar, dor para engolir, boca seca, náuseas e vômitos)
Suco de cenoura, tangerina e gengibre (radioiodoterapia, ausência ou alteração do paladar, dor para engolir, boca seca, náuseas e vômitos)


O que fazer ou evitar quando houver os seguintes sintomas:

Náuseas e vômitos
O que fazer: prefira alimentos gelados ou em temperatura ambiente; beba suco ou chupe gelo ou picolé de frutas cítricas, como limão (se não tiver feridas na boca) nos intervalos das refeições.

O que evitar: frituras e alimentos gordurosos; doces concentrados; condimentos e ficar próximo à cozinha durante o preparo das refeições.

Diarreia
O que fazer: consuma muitos líquidos (os sucos devem ser coados); procure ingerir carboidratos (batata, cenoura cozida, aipim, inhame, cará, arroz, macarrão com molho caseiro coado, torradas), e carnes grelhadas e frutas sem casca (banana-maçã, maçã, pêra, goiaba sem casca e semente, caju).

O que evitar: leite e derivados; gordura (manteiga, creme de leite, bacon); frutas e sementes oleaginosas (abacate, coco, nozes); leguminosas (feijão, grão de bico); e alimentos de causam gases (couve-flor, brócolis, repolho, ovo).

Boca seca

O que fazer: prepare as refeições com caldos ou molhos; se não houver feridas na boca, chupe balas azedas e/ou ácidas, picolés e mastigue chicletes (sabor menta), que podem ajudar a produzir mais saliva; consuma líquidos, principalmente água.

O que evitar: alimentos secos.

Feridas na boca

O que fazer: consuma alimentos macios e pastosos; prefira os gelados ou à temperatura ambiente.

O que evitar: alimentos ácidos, picantes ou muito salgados e/ou muito quentes.

Ausência ou alteração de paladar

O que fazer: faça bochechos com água ou chá de camomila antes das refeições; se não tiver feridas na boca, chupe balas azedas e/ou ácidas ou gotas de limão (30 gotas em 1 copo de 200ml); abuse de temperos naturais (manjericão, orégano, salsinha); substitua os talheres de metal pelos de plástico, se sentir sabor metálico.

O que evitar: alimentos muito quentes ou muito gelados. 

Fonte: Revista Época

VEJA MAIS RECEITAS PARA ALIVIAR OS SINTOMAS DE PACIENTES COM CÂNCER AQUI http://www.icesp.org.br/Institucional/O-Instituto/Equipe-Multiprofissional/Nutricao-e-Dietetica/Receitas-para-controle-de-sintomas/


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